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  • 08/11/2016 | 09h25

Projeções para o varejo no final de ano e 2017

Por: Fábio Pina, FecomercioSP

Não é novidade para ninguém que o ano de 2017 ainda será um período de queda nas vendas, principalmente para os setores que dependem fortemente do crédito disponível e da confiança do consumidor. Esse é o caso do segmento de eletroeletrônicos. Os produtos, em média, têm valor elevado e são em sua grande maioria vendidos a prazo. Também não são considerados essenciais, pelo menos não em um país como o Brasil, com a renda per capita abaixo de US$ 10 mil e em um momento de crise, que culminou com o estoque de 12 milhões de desempregados neste ano. Ou seja, a aquisição de aparelhos eletrônicos ou de eletrodomésticos não parece ser a prioridade dos consumidores. Esse segmento só não foi mais afetado pela crise do que os setores imobiliário e automobilístico.

Esse é o quadro de partida para uma avaliação de perspectivas. Se o varejo no Estado de São Paulo deve ver seu faturamento fechar o ano estável (crescimento de 0% a 2% em relação ao ano de 2016) – e registrar diminuição de 6% a 8% no Brasil após dois anos de fortes quedas –, no caso do segmento de eletroeletrônicos o cenário é ainda mais dramático: queda de 15% em São Paulo e de até 20% das vendas no Brasil. O varejo geral em São Paulo começou a mostrar reação na segunda metade deste ano, mas absolutamente localizada em supermercados e farmácias. Isso significa que há um princípio de reação, mas que se restringe aos itens essenciais, que não podem ser esquecidos pelos consumidores. Ou, como se diz em economês, itens de baixa elasticidade da demanda. Uma família pode decidir postergar a troca de uma geladeira (na maioria dos casos) ou deixar de adquirir uma nova TV, mas não pode deixar de entrar no supermercado ou na farmácia. Esse é o motivo para que esses setores tenham desempenho tão distinto em momentos de crise.

A retomada que se inicia por setores ditos essenciais – se tudo ocorrer dentro do cenário mais provável de pacificação política e de aprovação das reformas mais urgentes, como fiscal, previdenciária e trabalhista – vai se disseminar, obviamente, para segmentos de consumo mais “sofisticado”. Mas essa recuperação vai ocorrer gradativamente ao longo de 2017. Claro, por efeito base de comparação, pode ser que já no primeiro semestre alguns números até indiquem crescimento de vendas de itens eletroeletrônicos, mas muito por conta do péssimo desempenho que vem acometendo o segmento desde 2015. A rigor, crescer um pouco, depois de ter caído tanto, não chega a ser motivo de comemoração. Todavia, melhor que se inicie uma recuperação, ainda que tímida, o quanto antes possível.

A FecomercioSP estima que em 2017 a recuperação terá etapas no varejo. Depois de se consolidar nos bens não duráveis e com a cristalização de um ambiente político e de negócios mais favorável, o crescimento se espalhará para o setor de semiduráveis (roupas e acessórios) e, finalmente, mais provavelmente no segundo semestre, com relevância, chegará aos segmentos de duráveis, como automóveis e eletroeletrônicos. Antes disso, não dá para acreditar que, diante de uma enorme taxa de desemprego, do corte significativo nas linhas de crédito e das dúvidas que ainda permanecem sobre a capacidade do governo de aprovar as reformas, o consumidor estará apto a grandes aventuras.

Se o Natal deste ano não promete ser um momento para comemorações efusivas, traz ao menos a esperança de que o País entre em 2017 com perspectivas muito melhores do que nos últimos anos. O cenário primeiro vai deixar de piorar, antes de começar a melhorar para muitas empresas. Já é um sinal, depois de mais de dois anos de crise profunda.

Fonte: Eletrolar News ed. 115

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