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  • 14/01/2019 | 05h34

O País passa por mais um período de renovação das esperanças. Será mesmo desta vez?

Por: Fábio Pina, assessor econômico da FecomercioSP

O ano de 2018 foi o segundo de recuperação, ainda que muito abaixo do esperado, após três anos de crise severa, que destruiu empregos e reduziu a produção nacional. Entre 2014 e 2016, o País perdeu 8% do seu produto interno bruto (PIB), e o consumo das famílias caiu cerca de 20%. Não é um resultado trivial nem facilmente contornável. O atual governo recebeu o Brasil com um déficit público de quase R$ 200 bilhões e quase 14 milhões de desempregados. O esforço desse governo, por meio de sua equipe econômica, para reorganizar as finanças e dar uma direção adequada à política econômica não foi pequeno. Os resultados podem parecer modestos, mas são, de fato, relevantes:

– O número de desempregados caiu de quase 14 milhões para algo em torno de 12 milhões.

– O PIB parou de cair, cresceu 1% em 2017 e pode crescer perto de 2% neste ano.

– A taxa Selic (taxa básica de juros) veio sendo reduzida desde o fim de 2016, terminando este ano em 6,5% (menor patamar histórico), enquanto a inflação caiu de aproximadamente 10% em meados de 2016 para 4% neste momento, abaixo do centro da meta.

O futuro governo, recentemente eleito, recebe um País muito mais ajustado do que aquele que o presidente Temer recebeu, o que é muito positivo por um lado, mas, por outro, a expectativa de resultados aumenta. O mercado e o setor produtivo esperam um novo governo que coloque de forma clara as medidas prioritárias e suas diretrizes sobre a política econômica, e que avance nas reformas já iniciadas e também dê origem a outras agendas modernizadoras.

O próximo presidente comandará uma equipe que terá desafios como os ajustes fiscais; a redução do grau de interferência do setor público sobre o privado; a possibilidade de encaminhamento e aprovação das reformas nas áreas tributária, previdenciária e de gastos públicos; e a diminuição da burocracia, estimulando o ambiente de negócios.

Uma tarefa urgente para esse governo, na visão da Federação, é a Reforma da Previdência Social, que precisa ser implementada, garantindo o equilíbrio do sistema para as gerações presentes e futuras. Reforma essa que, aparentemente, está sendo tratada também como prioridade pela equipe econômica e de relações políticas, e isso pode gerar um ganho de confiança adicional ao que a mudança de ventos já vem proporcionando em empresários e consumidores.

Diante de todo esse quadro projetado pela FecomercioSP, ainda de incertezas, mas visto com muito otimismo e confiança pela entidade, as projeções para 2019 são, efetivamente, muito melhores do que o País viu nos últimos anos. O recente crescimento da confiança de consumidores e empresários pode ser mantido e até acelerado com o efetivo início do novo governo em janeiro de 2019 .

De imediato, o varejo e o setor de serviços provavelmente já irão se beneficiar da confiança em alta, e o Natal tende a ser uma data mais positiva do que a média do restante do ano, indicando um bom começo de 2019. Em 2018, o Brasil deve ver o faturamento do comércio crescer por volta de 3% em território nacional, e, em São Paulo, de quase 5%.

No ano que vem, diante das novas perspectivas, esses números podem subir para 5% e 7%, respectivamente. Se isolarmos o setor de eletroeletrônicos e de eletrodomésticos, o desempenho pode ser um pouco melhor do que a média do varejo no Natal e indicar um novo período de crescimento mais acelerado, dada a demanda reprimida e a tendência de que, nesse cenário mais positivo de redução de desemprego e geração de renda, o setor financeiro volte a expandir suas carteiras de empréstimos de forma relevante.

Fonte: Revista Eletrolar News ed. 128

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