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  • 02/10/2018 | 11h23

O momento é de cautela e planejamento

Por: Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP

O término de 2016 foi marcado pelo fim do pior biênio registrado pela economia brasileira desde a década de 1930. O período foi dominado por alta inflação, juros elevados, grande insolvência das empresas, incerteza política e perda de grau de investimento, entre outros fatores que fizeram com que a economia do País submergisse em uma grave crise sem precedentes históricos, consubstanciando um drástico prejuízo para o mercado de trabalho. O comércio varejista foi fortemente impactado por essa crise, sofrendo quedas consideráveis nas vendas.

A atividade econômica começou a dar sinais de recuperação em 2017. De acordo com a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), elaborada pela FecomercioSP com dados da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz/SP), o comércio varejista estadual registrou crescimento de 5% em relação a 2016.

Em 2018, a atividade do comércio varejista apresenta continuidade no ritmo de recuperação das vendas, apontando de janeiro a maio crescimento de 6% no faturamento real em relação ao mesmo período do ano passado. O bom desempenho das vendas vem sendo amparado pelo comércio de bens duráveis – entre eles, o setor de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, que registra expansão de 10% no ano.

A expectativa é de continuidade no aumento das vendas do comércio varejista, porém em ritmo desacelerado por causa de fatores macroeconômicos e conjunturais.

A greve dos caminhoneiros, ocorrida em maio passado, provocou uma desaceleração do ritmo do comércio varejista, e as altas do dólar provocadas pelas incertezas do quadro político eleitoral já começaram a causar aumento da inflação em maio e junho. Evidentemente que, se esses efeitos durarem pouco, a inflação pode continuar baixa, favorecendo as vendas até o fim do ano.

Por outro lado, se as incertezas no mercado continuarem a incentivar o aumento do dólar por longo tempo, a inflação tende a crescer, reduzindo o poder de compra da população – e com aumento dos juros. Nesse caso, é possível que as vendas cresçam menos ou até mesmo não cresçam.

Além disso, cabe destacar que as variáveis mais importantes para os negócios, como emprego e renda, estão mostrando resultados tímidos. É claro que isso tem um peso considerável na própria confiança dos consumidores, podendo refletir de forma menos positiva no comércio.

Portanto, considerando tais circunstâncias, o momento é de cautela na administração dos negócios até que se tenha um quadro mais claro do que pode acontecer ao longo do segundo semestre, principalmente após as eleições. A empresa deve evitar o endividamento e a manutenção de grandes estoques. É aconselhável o gerenciamento cauteloso do capital de giro, mantendo o máximo de liquidez do negócio. A revisão do planejamento, considerando esse cenário, é importante para a saúde financeira da empresa.

Fonte: Revista Eletrolar News ed. 126

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