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  • 02/04/2018 | 11h28

O balanço do comércio em 2017 e perspectivas para 2018

Por: Abram Szajman, presidente da FecomercioSP

Projeções da FecomercioSP, feitas a partir dos dados da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), indicam que o varejo paulista teve em 2017 um faturamento de R$ 623,7 bilhões, valor R$ 28,1 bilhões maior do que o registrado em 2016. Se tal projeção se confirmar, será o melhor desempenho anual de vendas desde 2011, marcando a reversão do pior ciclo recessivo já vivido pelo comércio, iniciado em meados de 2014 e que perdurou até o final de 2016.

A recomposição das vendas varejistas encontrou amparo na ampliação gradativa dos fatos econômicos positivos registrados ao longo do ano: queda da inflação, aumentos na renda agrícola e das exportações, início de melhoria no ritmo da produção industrial e injeção dos recursos do FGTS.

Em seguida, registrou-se queda nos índices de desemprego, que, além de ser o indicador socialmente mais relevante, é o maior determinante para a restauração da confiança.

Essa combinação virtuosa das variáveis econômicas positivas permitiu a retomada das vendas do varejo com base na recuperação do consumo de bens duráveis, segmento mais afetado pela recessão 2014-2016.

A maior lição que se tira dessa recessão é a de que é essencial para qualquer agente econômico estar bem informado e atualizado sobre os fatos da economia e da política.

Quem estava atento às mudanças bruscas na política econômica e seus desdobramentos não foi surpreendido com o aumento da inflação, o descontrole dos gastos públicos nem com retração generalizada na economia. A conclusão óbvia é que se deve aguçar o sentido crítico e não avaliar apenas as intenções de um governo, mas também os meios aos quais ele recorre para atingir seus objetivos.

As oportunidades surgiram para quem conseguiu gerenciar seus negócios com serenidade, mantendo cautela e muito controle sobre as despesas, consciente de que tudo na economia são ciclos que acabam se revertendo com o tempo.

Outra conclusão é que o maior benefício que o governo pode oferecer ao País é alcançar seu equilíbrio fiscal rapidamente e direcionar esforços para que o Estado tenha uma estrutura adequada à real capacidade contributiva da sociedade.

À medida que o Estado reduz significativamente sua necessidade de financiamento e elimina seus déficits anuais toda a sociedade se beneficia com elevação na oferta de crédito e queda substancial nas taxas de juros nas operações para pessoas físicas e jurídicas.

A aprovação do teto de gastos e da reforma trabalhista também representou passos significativos, embora ainda insuficientes. As reformas previdenciária, tributária e administrativa continuam sendo essenciais para se alcançar o crescimento sustentado.

Em 2018, o ambiente eleitoral será o elemento determinante da conjuntura econômica interna, que ficará suscetível às oscilações decorrentes das agendas das candidaturas que estarão na liderança da corrida presidencial.

Da mesma forma, o comportamento das vendas estará inevitavelmente atrelado ao desenrolar desse quadro político, dificultando a elaboração de projeções anuais.

A entidade avalia que o varejo paulista terá condições de mostrar, em 2018, novo aumento real de vendas, ao redor de 5%, com crescimento em todas as regiões do Estado, dando prosseguimento ao processo de recuperação iniciado em 2017.

Fonte: Revista Eletrolar News ed. 123

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