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  • 02/04/2018 | 11h27

As reformas para o Brasil crescer

Por: Lourival Kiçula, presidente da Associação Nacional da Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos - Eletros

O Brasil vem caminhando desde o começo do ano passado por uma trilha que, embora não sem percalços, deve levar à recuperação da economia e à retomada do poder de compra dos consumidores. Depois de atravessar um dos seus piores períodos recessivos, o País registra hoje uma taxa básica de juros anual na mínima histórica de 6,75%, além de ter fechado 2017 com inflação acumulada de apenas 2,95%, a menor desde 1998.

O PIB brasileiro, segundo expectativas do mercado, provavelmente teve o primeiro resultado positivo desde 2014, mesmo que ainda modesto, crescendo algo em torno de 1%. A produção industrial também aumentou, cerca de 2,3% em novembro na comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com os dados mais recentes do IBGE.

No entanto, a confiança da indústria, e com ela a do setor eletroeletrônico, ainda depende de uma base sólida que garanta a segurança do futuro do País. É por isso que acreditamos que um programa de reformas estruturais não é apenas desejável como estímulo ao restabelecimento da economia brasileira, mas é também estritamente necessário para alcançarmos a estabilidade de que o País precisará para aproveitar todas as oportunidades originadas nessa trajetória de crescimento.

Em 2017, com a aprovação da modernização trabalhista, o Brasil pôde atualizar a sua legislação para a realidade do século XXI. Com maior flexibilidade, empregadores e trabalhadores já podem encontrar as melhores soluções para cada caso particular, ampliando o leque de possibilidades para a criação de empregos formais.

Segundo dados do Tribunal Superior do Trabalho, em matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo em 4 de fevereiro, o número de ações trabalhistas na justiça caiu pela metade após a entrada em vigor da reforma trabalhista. A média de novos casos em primeira instância, que costumava passar de 200 mil por mês, caiu para 84,2 mil em dezembro de 2017, primeiro mês completo da nova legislação. Esses dados fazem com que o empresário seja encorajado a contratar e se sinta seguro para investir. Certamente, um avanço importante, que marcará o início da diminuição dos níveis de desemprego.

Pela frente, vislumbramos o desafio da aprovação da reforma da previdência, um dos temas de maior destaque nas discussões recentes da imprensa e do Planalto. Inúmeras pesquisas atestam a trajetória de insolvência do sistema previdenciário brasileiro. Portanto, precisamos debater de uma vez por todas as maneiras de criar um modelo equilibrado e justo, para garantir a aposentadoria das futuras gerações.

Igualmente importante seria uma reforma tributária que simplificasse a cobrança de impostos e tirasse o Brasil das últimas posições que o País ocupa nos rankings internacionais que medem a facilidade de fazer negócios. O brasileiro ainda arca com uma das estruturas tributárias mais caras e complexas do mundo, cenário que não condiz com o futuro que desejamos para o nosso mercado.

O Brasil tem a chance de criar um legado importante com a reformulação de algumas das suas maiores questões. Esperamos que haja a seriedade de propor as medidas necessárias e a celeridade do poder público para analisá-las. Novamente, vale ressaltar que a total recuperação do País depende e vai depender cada vez mais da confiança das empresas em um futuro equilibrado e sustentável.

Fonte: Revista Eletrolar News ed. 123

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