Portal Eletrolar.com

Notícias

America Net lança serviço móvel sobre rede da TIM

Companhia vai investir R$ 100 milhões este ano na expansão da rede de fibra óptica e na operação móvel


A America Net, operadora de telecomunicações com voz fixa e dados, lançou na semana passada o serviço de operadora móvel virtual (MVNO, na sigla em inglês). Está oferecendo celular em rede de terceira e quarta geração (3G/4G), para voz e dados móveis. Para isso, utiliza a rede da TIM Brasil.

O serviço começou a ser prestado em cidades do Estado de São Paulo, cujo DDD vai de 11 a 19. O objetivo da America Net é atender inicialmente clientes empresariais – há mais de 10 mil em sua carteira. Em maio, expande o número de cidades e inicia a oferta para consumidores residenciais.

Fundada há 20 anos, a America Net tem sede em Tamboré, Barueri (SP). Nos últimos anos, recebeu recursos dos fundos de capital de risco Axxon e Invest Tech. A última vez que a companhia revelou sua receita, de R$ 140,1 milhões, foi em 2016. Agora, informa apenas que a receita bruta cresceu 42% em 2017, o que numa conta simplificada atinge R$ 198,9 milhões.

A America Net destinou R$ 100 milhões para investir em 2018. Os recursos serão aplicados na expansão da rede de fibra óptica, atualmente com 12 mil km de extensão, e da operação móvel, inclusive para o mercado residencial, e aumentar a densidade onde a rede já está presente.

O objetivo da empresa é vender mais de 100 mil chips pré e pós-pagos em 2018. Neste ano, o cronograma prevê lançamento do serviço no Rio de Janeiro, Vitória, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia, Minas Gerais e Distrito Federal. Os planos de voz e dados incluem ligações ilimitadas multioperadoras para qualquer fixo ou móvel no país. Custam de R$ 69,99 (3 GB) a R$ 199 (60 GB).

José Luiz Pelosini, vice-presidente da America Net, disse que a autorização fornecida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para o serviço móvel é de “full MVNO”. Com esse tipo de licença, a companhia é responsável por quase toda a operação, exceto pela rede. Para viabilizar o negócio, precisou implantar as centrais de comutação, roteamento e central de autenticação de usuários.

A empresa responde ainda pelo faturamento e atenção ao cliente via call center, com 70 atendentes, de cerca de 250 funcionários. A licença de MVNO impõe metas de qualidade fixadas pela Anatel.

A marca da TIM não aparecerá para o cliente da America Net em nenhum momento, disse Pelosini. A subsidiária da Telecom Italia leva o sinal de sua torre para o ponto indicado pela America Net para fazer a interconexão. Daí em diante, a MVNO leva o tráfego para os nós que colocou em sua rede fixa de fibras, presente em 255 municípios.

Com esse acordo, a TIM passa a receber uma receita adicional, embora os assinantes da America Net não se somem à sua base. “É mais um braço TIM em mercados que não são nossa prioridade número 1. O acordo nos atraiu pela capilaridade e conhecimento que eles têm de mercados específicos, como o interior de São Paulo”, disse Daniel Hermeto, diretor de wholesale (vendas no atacado) da TIM.

Para fazer um acordo de MVNO, a TIM exige do parceiro um plano de negócios estruturado e perene. Além disso, quer ter confiança de que o aliado conhece o nicho onde se propõe a atuar, tenha capacidade de chegar diretamente aos clientes potenciais e um diferencial de mercado. “Não queremos envidar esforços para um negócio que não seja sustentável no médio e longo prazo”, disse Hermeto. A TIM faz uma seleção rigorosa de propostas. Muitas vezes o plano de negócios não se sustenta ou o nicho é pequeno. “Um nicho que não seja de 50 mil a 100 mil clientes, não vale começar a discussão.”

A TIM já tem como autorizadas de MVNO a Datora, para comunicação entre máquinas (M2M), e a Porto Seguro Conecta, com M2M e voz. Ambas representam 90% dos acessos de rede virtual da TIM. Outra autorizada é a EUTV, que tem os Correios como sua parceira credenciada.

Segundo Hermeto, as receitas de rede virtual ainda têm baixa representatividade, não chegam a R$ 100 milhões por ano. Mas o potencial é grande. “Vim para reestruturar a área e surfar esta onda de oportunidades que vemos no exterior com IoT [sigla em inglês para internet das coisas]”, diz. Ele está no cargo há um mês, após oito anos na cadeia de suprimentos da tele. Em sua opinião, IoT vai ganhar muito volume antes do lançamento de 5G, quando se espera forte conectividade entre objetos.

Fonte: Valor Econômico

publicidade