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Amazon se prepara para vender celulares e notebooks no País

Uma das opções na mesa é estocar as mercadorias dos lojistas em centros de distribuição alugados, de maneira que a Amazon fique responsável pela logística e distribuição do produto

A Amazon vai ampliar nos próximos meses a operação de “marketplace” (shopping virtual) no país, hoje limitada à venda de livros. A intenção é criar uma operação com formato completo, com venda de roupas, eletrônicos e móveis, mas na primeira fase o foco estará em mercadorias de fácil entrega e alta margem. Segundo a reportagem apurou, as negociações envolvem lojistas de smartphones, notebooks, tablets e acessórios. A Amazon poderá fazer a entrega do produto ao consumidor e receber dos lojistas pelo serviço.

Empresas transportadoras, que já prestam serviço para Walmart e Via Varejo (dona dos sites de Casas Bahia e Ponto Frio), iniciaram conversas com a empresa americana sobre contratos envolvendo a entrega de um determinado grupo de produtos, segundo fontes.

Uma das opções na mesa é estocar as mercadorias dos lojistas em centros de distribuição alugados, de maneira que a Amazon fique responsável pela logística e distribuição do produto.

Procurada pela reportagem, a Amazon informou que não especula sobre planos futuros.

Segundo fontes a par das negociações, as conversas neste momento têm girado em torno da comissão que a Amazon quer cobrar do lojista por cada venda feita no site. Nos EUA, esse modelo envolve o oferecimento de um pacote de serviços completo aos lojistas.

A equipe de analistas do BTG Pactual divulgou relatório anteontem informando que lojistas de grande porte confirmaram ao banco que a Amazon os procurou para ampliar o portfólio de itens à venda no “marketplace” no país.

“De acordo com eles [lojistas], a empresa tem sido diligente em selecionar os ‘best sellers’ para sua operação, investindo tempo para entender o que é preciso para fazer negócios no complexo mercado brasileiro. Em nossa opinião, M&A [fusão ou aquisição] poderia também ser uma opção para crescimento no país”, escreveram em relatório os analistas Fabio Monteiro e Luiz Guanais, do BTG.

O banco não revela os lojistas ouvidos, mas informa que a venda pode começar a ocorrer entre julho e setembro. Dois lojistas de celulares consultados ontem pelo Valor confirmam que a data prevista é no terceiro trimestre.

O “marketplace” funciona como um shopping virtual – lojistas de diferentes portes colocam seus produtos à venda no site de grandes redes, com alto tráfego, e pagam uma comissão por isso (que pode atingir 15% do valor da venda). A cobrança varia conforme o pacote fechado com os donos do site – que oferecem serviços financeiros, de publicidade e entrega.

Um concorrente da Amazon ouvido acredita que o setor será pressionado a melhorar as condições de serviço e atendimento oferecidos nos sites. O “marketplace” enfrenta críticas pois, muitas vezes, depois que a venda é feita, o cliente tem de tratar de eventuais problemas com o lojista, e não com o site em que a loja está hospedada.

A Amazon criou um modelo de qualidade em serviço no mundo e é reconhecida por isso. “A ‘régua’ deve subir e a pressão aumentar. Além disso, eles [Amazon] vão ter que negociar com transportadoras de primeira linha, que já estão com capacidade ocupada alta. Não sabemos como isso vai ficar”, diz o diretor de uma rede rival. A Amazon começou a operar no Brasil em 2012, vendendo livros digitais.

Analistas do BTG ressaltam que a Amazon não pode ser entendida como uma novata no mercado brasileiro – já tem cerca de 20% do tráfego da Americanas.com e cerca de metade do tráfego de outros sites, como Submarino e Walmart.com. E consideram provável que a expansão no Brasil leve o grupo a avançar também sobre o mercado de varejo físico.

Fonte: Valor Econômico

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