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3º Smartphone Congress & Expo será realizado dias 24 e 25 de julho de 2018

Principais fabricantes participarão do evento que vai debater tendências, negócios e comportamento do consumidor


A terceira edição do Smartphone Congress & Expo terá painéis e workshops para debater um alto número de temas ligados ao mercado desses dispositivo, e uma área para a exposição de produtos. No evento deste ano, um dos painéis teve como tema a visão da indústria frente ao futuro desse segmento, como o leitor acompanha no resumo a seguir.

O cenário de descompasso entre oferta e demanda que vigora no mercado brasileiro de smartphones está comprometendo as margens dos fabricantes e do varejo. A tendência, no entanto, é que ciclos como este ampliem o nível de amadurecimento do setor, ajudando-o a encontrar um ponto de equilíbrio. A afirmação foi feita por executivos da indústria em painel realizado no 2º Smartphone Congress & Expo 2017.

O debate teve a participação do gerente de mercado e produtos da LG, Marcelo Santos, do vice-presidente de mobilidade e negócios internacionais da Positivo Tecnologia, Norberto Maraschin, do presidente da Alcatel Brasil, Fernando Pezzotti, e do diretor de produtos da Samsung, André Varga. A intermediação do painel ficou por conta do fundador da Bambuza Capital, Francisco Valim.

Sobre a dinâmica de precificação dos smartphones, Fernando lembrou que, em 2016, a relação entre oferta e demanda esteve mais balanceada, fato que até resultou em crescimento do tíquete médio. “Mas, neste ano, nota-se que a oferta de produtos está maior do que o ritmo de consumo, o que vem impactando a precificação dos smartphones. Nos últimos seis meses, o desembolso médio por compra já retraiu R$ 100”, revelou o presidente da Alcatel Brasil.

“O cenário, de fato, é de sobra de produtos e de redução nas margens”, reforçou Norberto. “Mas, vivemos um momento de amadurecimento, que levará o mercado brasileiro a achar um ponto de equilíbrio e, com isso, alcançar maior racionalidade na oferta de produtos. Assim, será muito mais fácil para a indústria e para o varejo recompor as margens.”

Além da dinâmica de precificação, o Painel Indústria, no 2º Smartphone Congress & Expo, abordou outros temas de interesse do setor, como os desafios futuros do mercado de smartphones, a relação dos fabricantes com o varejo, o papel das operadoras e a concorrência chinesa.

Aparelhos do futuro

Com grande capacidade de agregar novas funções e de oferecer cada vez mais possibilidades às pessoas, é certo que a categoria de smartphones evoluirá continuamente. Aliás, inovação é uma condição básica para que este mercado siga adiante. Neste sentido, uma das questões que mais deve receber a atenção da indústria, nos próximos anos, é a segurança. “A quantidade de dados pessoais e financeiros gerados e armazenados pelos smartphones é imensurável. Isso tornará a segurança um fator cada vez mais importante”, observou Fernando, da Alcatel Brasil.

O executivo também acredita que surgirão inovações no campo das baterias, que viabilizarão o lançamento de opções com maior durabilidade. Outro ponto é a popularização das telas flexíveis, que podem ser ajustadas de acordo com a necessidade, podendo se transformar, por exemplo, em uma pulseira. .

Outras mudanças já em curso, mas que tendem a se acentuar no futuro, são a ampliação da capacidade de armazenamento dos smartphones e o desenvolvimento de telas maiores, sem que isso resulte em aparelhos de grandes dimensões. “Essa é uma demanda do consumidor, que já vem sendo contemplada pela indústria. O consumo de mídia via smartphones cresce continuamente e isso aumenta a demanda por uma experiência melhor de visualização e de navegação. “De acordo com alguns estudos, os smartphones com telas acima de 5,5“ representarão 20% do mercado até o final de 2017”, afirmou Marcelo, da LG.

A sustentabilidade futura do mercado de smartphones está totalmente associada ao nível de inovação que será empregado pela indústria, reforçou Fernando. “O consumidor só troca de aparelho quando ele entende que isso é necessário e quando identifica opções que trazem algo a mais. Por isso, inovação neste mercado deve ser uma rotina.”

Novas funções

Muitas são as possibilidades proporcionadas pelos smartphones, algo difícil de se imaginar há pouco mais de uma década. Terreno fértil para a inovação, estes aparelhos agregarão cada vez mais funções e ampliarão sua importância na vida das pessoas. Para André, da Samsung, os próximos passos da indústria serão pautados na composição de um ecossistema de tecnologias, todas conectadas ao celular.

“O smartphone tornou-se um equipamento eletrônico individual, capaz de viabilizar a convergência digital. Com o advento da Internet das Coisas e da realidade virtual, este aparelho ganhará ainda mais relevância nos próximos anos”, afirmou o executivo. “É por isso que estamos apostando em soluções complementares, caso dos wearables (tecnologias vestíveis, como relógios e óculos inteligentes) e da câmera 360°, por exemplo. Ou seja, o desafio está em não apenas criar novos recursos para o celular, mas, também, desenvolver equipamentos que componham um ecossistema integrado ao smartphone.”

Em complemento, Norberto, da Positivo Tecnologia, observou que o protagonismo dos smartphones também crescerá no universo empresarial. “Existem revoluções no campo do B2B que virão e estarão centradas no smartphone por causa da sua versatilidade e das possibilidades que oferece. Essa é uma onda tecnológica que vai acontecer na próxima década, no Brasil e no mundo.”

Canais de venda

Principal canal de venda de smartphones, o varejo segue proporcionando às indústrias muitas oportunidades de negócios, especialmente por potencializar a capilaridade da distribuição e, consequentemente, facilitar o acesso dos consumidores. Essa nova dinâmica, no entanto, que tirou das operadoras de telefonia móvel o protagonismo das comercializações, trouxe outros desafios para os fabricantes.

“Hoje, o trabalho é muito mais amplo para fazer o produto girar. A responsabilidade central do fabricante não está mais restrita ao desenvolvimento do produto, mas compreende também a necessidade de conhecer, com mais amplitude, o consumidor e de trabalhar por uma boa execução no ponto de venda”, avaliou Fernando. “O varejo é um canal que possui milhares de produtos e que não tem condições de focar sua atenção em uma única categoria.”

Atualmente, as operadoras respondem por pouco mais de 10% das vendas de smartphones no País, conforme avaliou André. “Mesmo assim, elas são muito importantes para a indústria, especialmente pela sua capacidade de acelerar a adoção de aparelhos com maior valor agregado”, destaca o executivo.

Concorrência chinesa

Os fabricantes chineses de smartphones estão de olho no Brasil e, certamente, trabalharão para entrar, de forma consistente, no mercado brasileiro nos próximos anos, de acordo com os participantes do Painel Indústria. A missão, no entanto, não será nada fácil.

“A atratividade do mercado brasileiro pode ser enganosa. Aqui, existe um custo para entrar e se manter muito maior do que em outros países em desenvolvimento”, comentou André. “Somos um país continental, com uma logística deficiente e questões tributárias complexas. No passado, na transição do 2G para o 3G, quando o mercado comprava qualquer equipamento, até poderia ser mais fácil. Hoje, porém, estamos diante de um mercado de substituição, onde cada fabricante tem que saber chegar ao consumidor para convencê-lo a trocar um ótimo aparelho por outro melhor.”

Visão semelhante foi compartilhada por Fernando, que destacou o grande desafio em estruturar uma distribuição sólida e a relevância que o quesito marca tem para o brasileiro. “São muitas as dificuldades, mas não há dúvidas que o mercado mudará muitos nos próximos cinco anos e que os chineses terão papel grande nesta mudança.”

Feature phone

Por algum tempo, sem uma previsão exata, o segmento de feature phone se manterá ativo no País, até que a migração seja feita por completo. A expectativa é que essa categoria mantenha uma participação de 5% nas vendas de aparelhos celulares nos próximos anos.

Dentre as indústrias participantes do painel, somente a Positivo possui uma atuação mais consistente neste segmento, onde transita com quatro modelos. “Este é um mercado residual, maduro e bastante focado em pessoas de terceira idade. Ele, gradativamente, vem diminuindo, mas ainda demorará para acabar”, disse Norberto. A LG também tem um modelo de feature phone, mas, segundo Marcelo, a companhia estuda encerrar as vendas do aparelho.

Fonte: Redação Eletrolar News

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