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Após resultado fraco, Positivo recua na bolsa

Mesmo com as despesas operacionais regredindo quase 16% de abril a junho, o efeito das vendas menores – fortemente impactadas pelo menor faturamento com governo e por perdas com variação cambial – refletiu no desempenho geral

Helio Rotemberg, presidente da Positivo Tecnologia

Helio Rotemberg, presidente da Positivo Tecnologia


Com queda abrupta nas vendas líquidas de 23% no segundo trimestre, revertendo a alta apurada no trimestre anterior, os números da Positivo Tecnologia foram mal recebidos pelo mercado. As ações da companhia fecharam o pregão de ontem (10.08) como a quinta maior queda da B3, de 10,54% a R$ 3,48. A apresentação dos dados ocorreu dias após a empresa ter decidido fazer mudanças em cargos de direção do grupo.

Mesmo com as despesas operacionais regredindo quase 16% de abril a junho, o efeito das vendas menores – fortemente impactadas pelo menor faturamento com governo e por perdas com variação cambial – refletiu no desempenho geral. Com receita caindo mais do que despesas, o lucro operacional teve retração de 82,3%, para R$ 2,2 milhões. O lucro líquido diminuiu quase 85%, para R$ 1,9 milhão.

“No mercado de governo [com venda de computadores], a receita líquida apresentou queda de 54%. No entanto, vale salientar que a companhia detém relevantes contratos cujas entregas deverão ser reconhecidas até o fim do ano, sendo esta redução causada basicamente por diferenças de cronogramas e da forte base de comparação do segundo trimestre”, escreveu, em relatório, a analista Sandra Peres, da Coinvalores.

O destaque positivo foi a melhora em margem Ebitda ajustada, destacaram analistas ontem, apesar da queda do lucro. Isso foi reflexo de iniciativas envolvendo ganhos de eficiência em fábrica, na logística e no pós-vendas.

Atuando no mercado de smartphones desde 2012, a Positivo perdeu participação de mercado no segmento de celulares em relação ao primeiro trimestre. A fatia ficou em 3,9% – estava em 4,6% no três primeiros meses do ano e em 4,2% no segundo trimestre de 2016. Isso inclui smartphones e celulares mais simples.

Em teleconferência de resultados ontem, Hélio Rotemberg, presidente da empresa, disse que, em celulares, a fatia “possível” da empresa é de cerca de 4,5% – ou seja, hoje está abaixo do potencial. De acordo com ele, o posicionamento de preço agressivo por parte da Motorola para o Moto G afetou a participação da empresa. Analistas entendem que quando isso ocorre, as marcas “compram mercado”.

Ontem, a queda das ações ocorreu após períodos de valorização – no ano a alta é de 25,6% – refletindo avaliação do mercado de que a empresa vem tentando explorar novos mercados e fechando parcerias para buscar novos canais de receita, segundo analistas. . Um segmento que não vai bem é o de tecnologia educacional (teve queda de 25% na receita líquida). A área não tem resultados consistentes há anos. Dias atrás a empresa confirmou ao mercado a decisão de fazer mudanças na área.

Saiu Elaine Guetter e foi contratado Alvaro Luis Cruz, que foi do conselho de administração e diretor operacional da Lego, exatamente a empresa com quem a Positivo fechou um acordo comercial há menos de um ano.

A companhia também anunciou a saída do principal executivo de marketing e vendas do grupo, Mauricio Roorda, substituído por Rodolfo Torello, cuja experiência em varejo que pode útil – ele é ex-Fast Shop e ex- Whirlpool.

Na busca por novos mercados, iniciativa bem recebida pelo mercado, a Positivo deve avançar na área de tecnologia voltada para a área de saúde. O grupo comprou em março metade da Hi Technologies, que desenvolve soluções tecnológicas para a área.

Fonte: Valor Econômico

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